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Backup e recuperação de desastres na AWS: RPO, RTO e o que testar
Ter backup não é ter recuperação. Entenda RPO e RTO, escolha entre as quatro estratégias de desastre na AWS e proteja suas cópias contra ransomware.
Backup é a cópia dos dados. Recuperação de desastres é o plano para voltar a operar quando algo grave acontece. Na AWS, a estratégia certa depende de dois números que a sua empresa precisa definir: o RPO, quanto de dados dá para perder, e o RTO, quanto tempo dá para ficar parado. Quanto menores esses números, maior o custo. E nenhum dos dois vale nada sem um teste de restauração.
RPO e RTO em linguagem simples
- RPO (Recovery Point Objective): se o último backup foi feito à meia-noite e o desastre ocorreu às 15h, você perde 15 horas de dados. Esse período é o RPO.
- RTO (Recovery Time Objective): o tempo entre a queda e a volta ao funcionamento.
Essas são decisões de negócio, e não de TI. Pergunte quanto custa uma hora parada e quanto custa perder uma hora de pedidos. Sistemas diferentes têm respostas diferentes: o site institucional pode ficar um dia fora do ar, mas o ERP talvez não.
O que a AWS já oferece
- Várias zonas de disponibilidade: servidores e bancos distribuídos em instalações separadas da mesma região protegem contra a falha de um data center. O RDS Multi-AZ faz isso com o banco de forma automática.
- Point-in-time recovery: bancos no RDS podem ser restaurados para um ponto específico dentro do período de retenção.
- Versionamento no S3: preserva versões anteriores de cada arquivo.
- AWS Backup: centraliza políticas, retenção e cópias para outras contas e regiões.
Importante: alta disponibilidade não é backup. Se alguém apagar uma tabela, a exclusão é replicada na mesma hora para o outro lado. As duas proteções são necessárias.
As quatro estratégias de recuperação
| Estratégia | Como funciona | RTO típico | Custo |
|---|---|---|---|
| Backup e restauração | Restaura tudo a partir das cópias | Horas | Baixo |
| Pilot light | Dados replicados, servidores desligados | Dezenas de minutos | Médio |
| Warm standby | Ambiente reduzido sempre ligado | Minutos | Alto |
| Ativo-ativo | Duas regiões atendendo juntas | Quase zero | Muito alto |
Para a maioria das pequenas e médias empresas, backup e restauração bem feito ou pilot light resolvem. Ativo-ativo costuma fazer sentido para poucos sistemas muito críticos e dá muito trabalho.
Os desastres que acontecem de verdade
Falha completa de região é rara. Os problemas mais comuns são:
- Erro humano: a tabela apagada, o deploy errado, o script que limpou o bucket.
- Ransomware e invasão: alguém com credenciais válidas apaga ou criptografa tudo.
- Corrupção silenciosa: dados errados por semanas, replicados para todas as cópias recentes.
- Conta comprometida: o invasor apaga também os backups que estão na mesma conta.
Por isso, a estratégia precisa cobrir mais do que a queda de um data center.
Como proteger backups contra ransomware
Backup que pode ser apagado pelo invasor não protege contra ele. Três medidas fazem toda a diferença:
- Conta separada: copie os backups para outra conta da AWS, com outras credenciais.
- Imutabilidade: o AWS Backup Vault Lock e o S3 Object Lock impedem a exclusão durante o período definido, mesmo por um administrador.
- Acesso restrito: poucas pessoas com autenticação em dois fatores, e toda ação sendo registrada.
Na prática, siga a regra 3-2-1 adaptada para a nuvem: três cópias, em dois meios diferentes, sendo uma fora da conta principal.
Atenção à LGPD
Copiar backups para outra região é uma boa prática, mas pode significar transferência internacional de dados. Se os seus dados precisam ficar no Brasil, avalie uma segunda conta na mesma região, ou trate a cópia no exterior com a base legal e os contratos adequados. Veja AWS em São Paulo e LGPD.
O teste que quase ninguém faz
O backup só está bom quando é restaurado com sucesso. Monte uma rotina:
- Mensal: restaurar um banco e um conjunto de arquivos em um ambiente isolado.
- Semestral: simular a queda de um sistema importante e cronometrar a volta.
- Anual: exercício com as pessoas, incluindo quem decide e quem comunica.
O AWS Backup possui testes de restauração automáticos, que ajudam a manter essa disciplina. Registre o tempo real. Se o RTO combinado era de duas horas e o teste levou nove, o plano precisa mudar.
Passo a passo para começar
- Liste os sistemas e defina RPO e RTO para cada um.
- Ative backups automáticos em todos os bancos e volumes.
- Copie para uma conta separada, com Vault Lock.
- Documente como restaurar, e não só como fazer backup.
- Teste e registre.
- Repita com frequência.
Perguntas frequentes
A AWS faz backup automático dos meus dados?
Não de tudo. Alguns serviços gerenciados, como o RDS, têm backups automáticos configuráveis, mas servidores EC2 e arquivos exigem configuração. A responsabilidade por proteger os seus dados é sua.
Qual a diferença entre RPO e RTO?
RPO é quanto de dados você aceita perder, medido em tempo desde a última cópia. RTO é quanto tempo você aceita ficar sem o sistema.
Multi-AZ substitui backup?
Não. O Multi-AZ protege contra a falha de uma zona, mas replica também erros e exclusões. Você precisa de backups com retenção para voltar a um ponto anterior.
Quer saber se o seu backup funcionaria hoje?
A Webparatus revisa a estratégia, configura backups imutáveis e testa a restauração dentro da sustentação AWS e da revisão de arquitetura. Fale com a gente antes de precisar deles.
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